Um sangramento fora do período menstrual ou um fluxo inesperadamente intenso. Esses são os sinais que, com frequência, geram preocupação e levam mulheres ao consultório ginecológico. Diante desses sintomas, dois diagnósticos são comumente investigados: pólipos uterinos e miomas. Embora ambos sejam crescimentos benignos que ocorrem no útero e possam causar sintomas semelhantes, eles são condições distintas, com origens, composições e tratamentos diferentes.
Compreender essa distinção é fundamental. Os pólipos uterinos, especificamente, são um achado comum e uma fonte significativa de dúvida. Eles estão relacionados à infertilidade? Podem se tornar câncer? O tratamento é sempre cirúrgico?
Este artigo foi desenvolvido para esclarecer todas essas questões. Vamos analisar o que são os pólipos uterinos, como eles se diferenciam dos miomas, quais sintomas exigem atenção e quais são as opções de tratamento disponíveis hoje, com foco especial na histeroscopia como padrão-ouro.
O que são os pólipos uterinos?
Para entender os pólipos, precisamos primeiro visualizar o útero. O útero é revestido internamente por um tecido chamado endométrio. É esse tecido que descama mensalmente durante a menstruação, na ausência de gravidez.
Os pólipos uterinos, ou pólipos endometriais, são exatamente isso: crescimentos excessivos e localizados desse tecido endometrial. Eles se formam quando há uma proliferação anormal das células do endométrio.
Imagine o endométrio como um “gramado”. Um pólipo é como um “cogumelo” que cresce nesse gramado. Ele permanece preso à parede interna do útero por uma base, que pode ser fina e alongada (pediculada) ou larga (séssil). Eles podem variar drasticamente em tamanho, de alguns milímetros (menores que um grão de arroz) a vários centímetros, podendo até preencher toda a cavidade uterina ou se projetar pelo colo do útero.
A causa exata para sua formação ainda é estudada, mas sua ligação com os hormônios é clara. Os pólipos uterinos são sensíveis ao estrogênio, o que significa que o hormônio feminino estimula seu crescimento. Por isso, são mais comuns em mulheres que estão se aproximando da menopausa ou que já passaram por ela, mas também podem ocorrer em mulheres mais jovens.
A Diferença Crucial: Pólipos Uterinos vs. Miomas
Embora ambos sejam “tumores” (crescimentos de tecido) benignos, sua origem é completamente diferente. A distinção fundamental está no tecido de origem. Os pólipos uterinos são formados pelo endométrio, o revestimento interno e macio do útero. Por outro lado, os miomas (ou leiomiomas) são formados pelo miométrio, a parede muscular e firme do útero.
Voltando à nossa analogia: se o pólipo é um “cogumelo” macio no “gramado” (endométrio), o mioma é como uma “pedra” ou “nódulo duro” que cresce dentro da “terra” (parede muscular).
Os pólipos têm uma textura esponjosa, similar ao próprio endométrio, enquanto os miomas são firmes e elásticos. A causa dos pólipos é uma hiperproliferação do endométrio, muito sensível ao estrogênio. Já os miomas vêm da proliferação de células musculares lisas, sensíveis tanto ao estrogênio quanto à progesterona.
Essa diferença pode impactar diretamente os sintomas. Um mioma, por ser muscular, está mais associado a cólicas intensas, sensação de peso pélvico e, principalmente, um fluxo menstrual muito aumentado (menorragia).
O pólipo, por ser um tecido “extra” e friável (que sangra facilmente) no local onde o sangue passa, é mais associado a sangramentos irregulares, os chamados escapes entre os períodos, ou sangramento após relações sexuais.
Sinais e Sintomas: Quando Suspeitar de Pólipos Uterinos?
Muitas mulheres com pólipos uterinos podem ser completamente assintomáticas. Frequentemente, eles são descobertos por acaso durante um exame ginecológico de rotina, como um ultrassom transvaginal.
No entanto, quando causam sintomas, o mais comum é o sangramento uterino anormal. Isso pode se manifestar de várias formas:
Menorragia: períodos menstruais excessivamente longos ou com fluxo muito intenso.
Metrorragia (Sangramento Intermenstrual): sangramento ou “escapes” que ocorrem entre os períodos menstruais.
Sangramento Pós-Relação: sangramento que ocorre após a relação sexual.
Sangramento Pós-Menopausa: qualquer sangramento vaginal após a menopausa é um sinal de alerta e deve ser investigado imediatamente. Os pólipos são uma das causas mais comuns.
Infertilidade: embora menos comum, pólipos grandes ou múltiplos podem agir como um “corpo estranho” dentro do útero, dificultando a implantação do embrião ou bloqueando a passagem dos espermatozoides.
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É importante notar que cólicas não são o sintoma principal dos pólipos, embora possam ocorrer se o pólipo for grande ou estiver tentando ser expulso pelo colo do útero.
Como é Feito o Diagnóstico de Pólipos Uterinos?
A investigação geralmente começa com a suspeita clínica baseada nos sintomas de sangramento. O ginecologista dispõe de várias ferramentas para confirmar o diagnóstico:
Ultrassonografia Transvaginal: um transdutor é inserido na vagina, permitindo uma visualização de alta resolução do útero. O médico pode identificar um espessamento focal do endométrio ou, às vezes, a imagem clara de um pólipo. Contudo, pólipos pequenos podem não ser vistos.
Histerossonografia (ou Hidrossonografia): após a inserção de uma pequena quantidade de soro fisiológico estéril dentro da cavidade uterina, o ultrassom é realizado. O líquido distende o útero e “delineia” o pólipo, tornando sua visualização mais detalhada.
Histeroscopia Diagnóstica: este é considerado o padrão-ouro. Um equipamento chamado histeroscópio, que é uma câmera óptica muito fina (de 2 a 4 milímetros), é introduzido pelo colo do útero para visualizar diretamente o interior da cavidade uterina. O médico vê o pólipo, seu tamanho, sua localização exata e sua base de implantação.
Pólipos Uterinos e o Risco de Câncer: O que a Ciência Diz?
Esta é, compreensivelmente, a maior preocupação das pacientes. A notícia tranquilizadora é: a vasta maioria dos pólipos uterinos é benigna.
O risco de um pólipo conter células pré-cancerígenas (hiperplasia atípica) ou cancerígenas (carcinoma endometrial) é baixo, mas existe. As estimativas variam, mas os estudos apontam para um risco geral de malignidade entre 1% a 5%.
No entanto, esse risco não é o mesmo para todas. Fatores de risco aumentam a probabilidade:
Pós-menopausa: mulheres que já pararam de menstruar têm um risco maior.
Sintomas (Sangramento): pólipos que causam sangramento têm uma chance ligeiramente maior de serem malignos do que aqueles encontrados acidentalmente.
Tamanho: pólipos maiores (acima de 1,5 cm) também apresentam maior risco.
Uso de Tamoxifeno: pacientes em tratamento para câncer de mama com tamoxifeno têm maior risco de desenvolver pólipos, e estes têm maior risco de atipia.
Por causa desse risco, por menor que seja, a regra é clara: todo pólipo removido deve ser enviado para análise patológica (biópsia).
Tratamentos Disponíveis para Pólipos Uterinos
A decisão sobre o tratamento depende de vários fatores: a presença de sintomas, o tamanho do pólipo, a idade da paciente (pré ou pós-menopausa) e o desejo de gravidez.
1. Conduta Expectante (Observação)
Se o pólipo for pequeno (geralmente menor que 1,0 cm), assintomático e a paciente estiver na pré-menopausa e sem fatores de risco, o médico pode optar por apenas acompanhar. Alguns pólipos pequenos podem regredir espontaneamente, embora não seja o mais comum.
2. Tratamento Medicamentoso
Medicamentos hormonais, como progestágenos, podem ser usados para tentar controlar o sangramento. No entanto, eles não tratam o pólipo em si, eles atuam no endométrio “afinando-o”. Essa abordagem é geralmente temporária e não resolve a causa-raiz do problema.
3. Polipectomia por Histeroscopia Cirúrgica (O Padrão-Ouro)
Este é o tratamento mais recomendado na maioria dos cenários. O procedimento é chamado de polipectomia histeroscópica.
Funciona assim:
O procedimento é minimamente invasivo, realizado por via vaginal.
O histeroscópio (câmera) é introduzido para localizar o pólipo.
Junto com a câmera, um instrumento cirúrgico fino (como uma tesoura, alça elétrica ou um dispositivo chamado shaver) é introduzido.
Sob visão direta, o médico “corta” ou “raspa” o pólipo na sua base.
O pólipo é então retirado e enviado para análise.
A grande vantagem da histeroscopia é a precisão. O médico remove apenas o pólipo, preservando todo o restante do endométrio saudável. É um procedimento de rápida recuperação (geralmente alta no mesmo dia) e que resolve tanto o sintoma (sangramento) quanto o risco (removendo a lesão para análise).
Quando o Tratamento Cirúrgico é Indicado?
A remoção cirúrgica (histeroscopia) é quase sempre a melhor opção nos seguintes casos:
Qualquer pólipo em mulheres na pós-menopausa (devido ao maior risco de malignidade).
Pólipos sintomáticos (que causam sangramento ou dor).
Pólipos grandes (geralmente acima de 1,5 cm).
Infertilidade (quando o pólipo é suspeito de atrapalhar a implantação).
Fatores de risco (como uso de tamoxifeno).
O Caminho para o Cuidado com Orientação Profissional
Os pólipos uterinos são uma condição ginecológica relativamente frequente e, na maior parte dos casos, benigna. Diferem dos miomas por se originarem do revestimento interno do útero (endométrio), e não da camada muscular.
Graças a constantes atualizações da área médica, o diagnóstico e o tratamento tornaram-se mais detalhados e menos invasivos. A histeroscopia, técnica utilizada pelo Dr. João Koslov em seus atendimentos, permite visualizar o interior do útero, confirmar o diagnóstico e remover o pólipo no mesmo procedimento, com alta segurança e recuperação rápida.
Além disso, o especialista realiza acompanhamento individualizado, integrando exames de imagem, avaliação hormonal e planejamento terapêutico conforme o perfil de cada paciente.
Para mais informações, entre em contato.
Dr. João Koslov
CRMPR 32.476 I RQE 26337

